Crítica | Deadpool

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Talvez nenhum filme baseado em quadrinhos tenha tido um percurso tão longo para conseguir sair do papel como Deadpool teve. A história começa em 2009, quando o personagem teve uma participação desastrosa no primeiro filme solo do Wolverine, onde inexplicavelmente a boca da personagem, que é famoso por ser tagarela e por seu senso de humor ácido, foi simplesmente costurada. Ryan Reynolds, que interpretou o personagem na desastrosa participação, se sentiu em dívida com os fãs e fez de tudo para que Deadpool tivesse seu filme solo que pudesse apagar a má impressão deixada, porém durantes muitos anos os boatos que surgiram sobre a realização do longa nunca se transformavam em algo mais concreto, já que a Fox estava reticente em investir em um filme baseado em quadrinhos que fosse para maiores de idade. Porém, o longa finalmente recebeu o sinal verde para começar sua produção depois que um teste de filmagem encomendado pela Fox acabou “vazando” e se tornando um sucesso entre os fãs na internet. Todo o esforço de Reynolds para que o filme saísse do papel acabou valendo muito a pena, já que o resultado final de Deadpool dificilmente decepcionará algum fã do mercenário tagarela.

O longa conta a história de Wade Wilson (Ryan Reynolds), um anti-herói conhecido como Deadpool. Depois de ser submetido a um experimento para ganhar fator de cura, o mercenário tagarela, armado com suas habilidades e um senso de humor negro, vai atrás do homem que quase destruiu sua vida.

Como já era de se esperar o principal acerto do filme é o seu humor ácido que traz piadas que satirizam desde o público até o próprio estúdio. As piadas se encaixam muito bem no filme e são em sua maioria muito boas, além disso varias delas trazem ótimas referências a cultura pop.

Outro acerto é a forma brilhante como o personagem titulo foi adaptado, todo o estilo irreverente e insano que consagraram o mercenário tagarela nas HQ’s está presente no filme, poucas vezes em adaptações de quadrinhos vimos um personagem que teve sua essência tão respeitada como acontece no longa.

Assim como Robert Downey Jr interpretando Tony Stark e Hugh Jackman como Wolverine foram imortalizadas por seus papéis não é nenhum exagero dizer que Ryan Reynolds agora também pertence a esse seleto grupo, já que além de todo o esforço que ator teve pra que o filme saísse do papel ele também consegue incorporar o personagem de uma maneira icônica, é indiscutível o fato de que esse é o grande papel da carreira de Reynolds.

A adição dos personagens Colossus e Megasonic Teenage Warhead (Brianna Hildebrand) são outro acerto do longa, já que os dois rendem ótimos momentos no longa, o primeiro com seu estilo “paizão” e a segunda com seu típico estilo adolescente.

A trilha sonora do filme é bastante eclética e é bem utilizada desde a fantástica cena de abertura do longa até sua cena final.

Outro ponto positivo são as cenas de ação que apesar de curtas são bem dirigidas pelo estreante Tim Miller.

O maior defeito do longa é o primeiro ato que conta a história de origem do personagem principal, não que ela seja ruim, porém ela é bem menos interessante comparada ao resto da história do filme  e como o primeiro ato é contada em paralelo com o segundo a diferença de qualidade entre eles acaba ficando ainda mais clara. Ryan Reynolds e seu par romântico no filme Vanessa (Morena Baccarin) não parecem ter química o suficiente para conseguirem sustentar o primeiro ato do filme, que é focado no romance entre os dois.

Os vilões do filme Ajax (Ed Skrein) e Angel Dust (Gina Carano) até rendem bons momentos no longa, porém seus personagens são bastante mal trabalhados e a sensação que fica é que o roteiro poderia ter explorado melhor suas motivações.

Violento, irreverente ao extremo e respeitando a essência do personagem principal ao máximo, coisa não muito comum em filmes do gênero, Deadpool é uma grande carta de amor aos fãs do personagem e o maior acerto da Fox em muitos anos, resta torcer para que o estúdio tenha aprendido a lição aqui e que consiga manter a mesma pegada em seus próximos projetos.

NOTA: 8,0

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