Crítica | Esquadrão Suicida (Suicide Squad)

Esquadrão Suicida : Poster

O DC Extended Universe, nome ao qual foi dado o universo de filmes interligados da editora, teve um começo um tanto quanto conturbado já que seus dois primeiros longas, O Homem de Aço (2013) Batman Vs Superman: A Origem da Justiça (2016), não receberam as críticas esperadas por parte da imprensa especializada e ainda por cima dividiram muito a opinião do público. Com os dois filmes não alcançando o prestigio esperado a DC/Warner viu em Esquadrão Suicida a chance de finalmente fazer o seu universo cinematográfico decolar de vez, afinal, a ideia de fazer um filme sobre vilões parecia bastante promissora e diferente, porém o resultado final do longa mostra que, infelizmente, ainda não é dessa vez que esse universo compartilhado da DC nas telonas consegue nos entregar um grande filme.

Após a aparição do Superman, a agente Amanda Waller (Viola Davis) está convencida que o governo americano precisa ter sua própria equipe de metahumanos, para combater possíveis ameaças. Para tanto ela cria o projeto do Esquadrão Suicida, onde perigosos vilões encarcerados são obrigados a executar missões a mando do governo. Desta forma, Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Jay Hernandez) e Amarra (Adam Beach) são convocados para a missão.

Começando pelos pontos positivos, é necessário destacar as atuações de Margot Robbie Viola Davis que esbanjam talento e carisma em suas interpretações. Enquanto a primeira consegue transpor para as telas toda a insanidade e a sensualidade de sua personagem, a segunda traz uma personagem forte e determinada que é capaz de qualquer coisa para conseguir seus objetivos. Outro que entrega uma boa atuação é Will Smith, ainda que seu personagem seja prejudicado por uma série de alívios cômicos que não funcionam.

As cenas de ação do filme são boas e bem dirigidas por David Ayer, que já havia mostrado competência no quesito em Corações de Ferro (2014). Elas conseguem explorar bem os poderes e habilidades dos personagens. Arlequina, Pistoleiro e El Diablo acabam se beneficiando disso, já que eles acabam rendendo as melhores sequencias.

A trilha sonora do longa, que já vinha sendo bastante elogiada desde o primeiro trailer do filme, cumpre as altas expectativas geradas ainda que uma ou outra canção acabe por não combinar com a cena em que é encaixada, porém o erro acontece com no máximo duas ou três músicas, ou seja, nada que prejudique de forma significativa o resultado final. AC/DC, Queen e The White Stripes são apenas uma pequena parte do repertório musical do longa que dificilmente não vai fazer o espectador se contagiar com pelo menos uma das faixas executadas.

Hora de falar dos pontos negativos ! Sem dúvida nenhuma o maior problema do longa é o fraquíssimo roteiro escrito por David Ayer. Pelo fato de ser um filme estrelado por vilões existia a esperança de ver algo que se diferencia-se do resto do gênero, porém toda a trama de Esquadrão Suicida é genérica ao extremo. As discussões sobre a moral dos protagonistas é pra la de superficial, impedindo assim, a possibilidade de se ter algo um tanto quanto subversivo. A relação dos personagens entre si é muito mal trabalhada, assim como as suas motivações, com exceção de Arlequina e Pistoleiro que recebem uma maior atenção nesse quesito. Porém o pior parece ser a grande ameaça que leva o grupo a se reunir, assim como em Batman Vs Superman temos um vilão sem graça e inteiramente feito em CGI.

Algo que deve desagradar os fãs é forma como alguns personagens são extremamente mal aproveitados no longa. Os que mais sofrem com isso são Capitão Bumerangue, Katana (Karen Fukuhara) e Crocodilo, que consegue render uma ótima cena como alivio cômico no ato final. Os três personagens até geram expectativas quando entram em cena, porém rapidamente são esquecidos pelo espectador devido a quase nula atenção que recebem por parte do roteiro.

A montagem, problema que vem sendo recorrente no DC Extended Universe, é mais uma vez um revés em um longa pertencente a esse universo. O primeiro ato é o mais prejudicado por isso já que temos uma sequencia frenética de flashbacks que tem a missão de apresentar os personagens e devido a edição ruim várias dessas cenas acabam sendo mal utilizadas.

O aguardado Coringa de Jared Leto infelizmente deixa muito a desejar em sua primeira aparição. Em nenhum momento o personagem consegue parecer ameaçador ou até mesmo interessante, porém há de se dizer que provavelmente o menos culpado da história é Leto, já que o mesmo até se esforça em sua atuação, porém a péssima edição das cenas em que seu personagem está envolvido e o roteiro que o insere de maneira bem preguiçosa na trama acabam estragando qualquer chance de se fazer algo memorável. 

Esquadrão Suicida é possivelmente o filme mais divertido do DC Extended Universe até aqui, porém também é o mais frágil e genérico, o tipico filme que é facilmente esquecido depois de um tempo. Com tantos ótimos personagens em seu plantel já passou da hora desse universo compartilhado entregar para os fãs um grande longa, porém a cada novo filme essa missão parece estar cada vez mais distante de ser realizada.  

NOTA: 7,0

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