Crítica | Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story)

Quando surgiu a notícia de que a Disney além de produzir uma nova trilogia para Star Wars também produziria spin-offs (filmes derivados) muitos fãs ficaram animados, já que o universo da franquia é extremamente rico. Foi definido que primeiro longa do tipo seria uma história sobre o roubo dos planos da estrela da morte, uma ideia que inicialmente se demonstrava promissora, porém que é marcada por mais erros do que acertos em Rogue One: Uma História Star Wars.

Ainda criança, Jyn Erso (Felicity Jones) foi afastada de seu pai, Galen (Mads Mikkelsen), devido à exigência do diretor Krennic (Ben Mendelsohn) que ele trabalhasse na construção da arma mais poderosa do Império, a Estrela da Morte.  Já adulta, Jyn é resgatada da prisão pela Aliança Rebelde, que deseja ter acesso a uma mensagem enviada por seu pai a um antigo aliado da Aliança. Com a promessa de liberdade ao término da missão, ela aceita trabalhar ao lado do capitão Cassian Andor (Diego Luna) e do robô K-2SO.

Rogue One não tem o espírito aventuresco que está presente na alma da franquia, e que foi resgatado com perfeição em Star Wars: O Despertar da Força (2015),  ainda que esse seja um filme que busque se diferenciar dos demais e que busque estar presente no gênero guerra, a essência da saga não deveria ter sido deixada de lado, não há aqui uma trama que flua de forma dinâmica a ponto de caracterizar uma boa aventura, ou mesmo cenas de batalha tensas e bem dirigidas, com exceção de um confronto em um planeta chuvoso onde temos a melhor sequência de ação do longa, que caracterizem um eficiente filme de guerra. Falha da direção de Gareth Edwards que entrega cenas de ação genéricas e que não honram o legado de Star Wars.

O filme tem um problema sério de ritmo, fazendo com o que o mesmo seja bastante irregular do começo ao fim. Em diversos momentos temos cenas que nos fazem acreditar que a partir dali o longa finalmente irá começar a empolgar por total e fluir melhor, porém imediatamente ou a cena não se desenrola de maneira suficiente, ou a edição acaba cortando para outro núcleo da trama. A edição ruim se destaca negativamente no terceiro ato, de forma com que muito do potencial da batalha final seja perdido.

O roteiro do longa, que foi escrito por Chris WeitzTony Gilroy, tem seus maiores problemas no que diz respeito a seus personagens. A protagonista Jyn Erso não se mostra uma personagem muito carismática, e aliada a uma Felicity Jones não tão a vontade em seu papel, só se mostra interessante quando sua relação com seu pai é explorada em excelentes momentos dramáticos. Cassian Andor se mostra interessante em suas primeiras cenas devido a sua moralidade duvidosa , porém com o decorrer da trama toda a sua “complexidade” vai sendo desconstruída, de forma com que Andor acabe se transformando em um personagem comum.

Seria injusto falar apenas dos problemas do roteiro, já que o mesmo também tem seus acertos. Os alívios cômicos são utilizados de maneira eficiente e sem exagero, boa parte deles envolve o carismático droid K-2SO (Alan Tudyk), que se firma como um dos melhores personagens do longa.

Outro acerto do roteiro, talvez até o maior do filme, é a forma como a força é abordada. Todo o misticismo do tema é tratada de forma excelente, e representada pelo ótimo personagem Chirrut Îmwe (Donnie Yen) que vê a força como uma religião e como sua exímia aliada. Os diálogos em que Chirrut fala sobre ela são os melhores do filme, e até conseguem capturar a essência da trilogia original.

Principal vilão do filme, Orson Krennic decepciona por ser submisso demais e ter sua ambição desenvolvida de forma insatisfatória. Já Darth Vader, apesar da curta aparição, consegue impressionar trazendo seu ar misterioso e extremamente imponente, as escassas cenas do personagem são capazes de honrar o legado de um dos maiores vilões da história do cinema, e quem sabe de até deixar os fãs na esperança de um futuro spin-off sobre Vader.

A trilha sonora composta por Michael Giacchino (lembrando que esta é a primeira vez na franquia em que o consagrado compositor John Willians não está presente) alterna bastante entre momentos bons e medianos. A maioria dos momentos positivos acontece quando temos a utilização de algum tema que já tenha sido apresentado em filmes anteriores, faltou mais ousadia a Giacchino para tentar criar algo novo, pois o compositor já mostrou que tem bastante talento em trabalhos anteriores em blockbusters.

Rogue One: Uma História Star Wars não é um filme ruim, porém não consegue estar a altura da maioria dos filmes da saga devido a sua irregularidade. Existem boas intenções por trás do longa e algumas ótimas cenas isoladas, porém, infelizmente, os erros acabam se sobressaindo aos acertos. 

NOTA: 7,0

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