Crítica | A Chegada (Arrival)

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A partir de Incêndios (2010), que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, a carreira do diretor canadense Denis Villeneuve decolou de forma significativa. Os Suspeitos (2013), O Homem Duplicado (2013) e Sicário: Terra de Ninguém (2015), que são os filmes do diretor nesse período, tiveram boa aceitação por parte de crítica e público. Um dos maiores elogios aos filmes de Villenueve é a forma como ele aborda temas que façam com que o espectador precise exercitar a mente e muitas vezes fique dias refletindo sobre. Em seu novo trabalho o diretor alia a qualidade anteriormente citada com uma parte técnica impecável para fazer com que A Chegada seja um clássico instantâneo.

A história se passa nos dias atuais, quando seres alienígenas descem à Terra em naves espalhadas por diversos pontos do planeta. Para ajudar na comunicação com os ET´s, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma especialista em linguística, é convocada, assim como o matemático Ian Donnelly (Jeremy Renner).

A direção de Denis Villeneuve é fantástica, o diretor consegue conduzir com maestria uma trama complexa, que pode ser descrita como um grande quebra cabeça que vai sendo resolvido aos poucos, porém sem nunca ousar subestimar a inteligência do espectador. Talvez o momento que melhor comprove o trabalho magnifico realizado por Villenueve seja  na cena da primeira ida da protagonista a nave alienígena, que é conduzida pelo diretor canadense de forma tão brilhante, com o suspense alcançando níveis estratosféricos e fazendo com que o espectador se sinta absolutamente imerso, que não será esquecida tão cedo por quem a viu.

O roteiro do longa pode até ter seus pequenos problemas, mas ainda sim é digno de aplausos. Tempo e linguagem são os dois principais temas abordados pelo texto escrito por Eric Heisserer, e adaptado do conto Story of Your Life de Ted Chieng, e as duas temáticas são desenvolvidas de maneira impecável e singela, há aqui conteúdo o suficiente para ser refletido e discutido por dias e dias, de forma que assistir o longa apenas uma vez seja um desperdício. Outro ponto bem construído do roteiro é a forma como a protagonista é desenvolvida, todo o seu arco indo desde a cena inicial onde encontramos uma personagem aparentemente fria passando pela forma como ela vai lidando com os primeiros contatos com os alienígenas, é feita de forma orgânica e elegante.

Na parte técnica a qualidade que A Chegada traz é impressionante. Começando pela fantástica fotografia que desde a cena inicial já adota tons melancólicos que se encaixam com perfeição a proposta do filme. Passando pela excelente trilha sonora composta por Jóhann Jóhannsson, que consegue transmitir com perfeição toda o ar misterioso da trama, com momentos capazes de até mesmo arrepiar o espectador com seus tons graves que ajudam a manter o suspense em um nível estratosférico. Também vale citar a bela direção de arte que se mostra eficiente em criar um ambiente dentro da nave dos alienígenas que consiga se diferenciar dos mostrados em outros filmes com a mesma temática. A edição/mixagem de som e a montagem, que acaba se mostrando importantíssima, também se mostram acima da média e merecem a citação.

Amy Adams entrega uma ótima performance na pele da protagonista Louise, com o ápice de sua atuação acontecendo nas cenas em que a vemos interagindo com sua filha, cenas essas que merecem ser elogiadas por serem belíssimas, a ponto de conseguir até mesmo emocionar o espectador. Jeremy RennerForest Whitaker, que interpreta o coronel Weber, entregam performances apenas satisfatórias, já que o roteiro do longa não desenvolve seus personagens da forma ideal, de forma com que não se exija muito dos dois.

Ainda que estejamos falando de um filme excelente os problemas existem, ainda que sejam pequenos. Boa parte deles está no segundo ato que desperdiça a oportunidade trabalhar melhor os personagens de Renner e Whitaker, e que também acaba tratando toda a questão geo-politica do filme de forma insatisfatória, o que acaba tornando algumas cenas um pouco arrastadas.

Singelo, profundo, reflexivo, melancólico, belíssimo e com um parte técnica impecável, A Chegada pode até não ser uma obra prima, apesar de não passar tão longe disso, porém traz ao espectador tudo de melhor que o gênero da ficção cientifica pode oferecer. Estamos falando de um filme que merece ser visto várias e várias vezes, um filme que não sairá tão fácil da cabeça de quem o viu, um trabalho capaz de gerar dias e dias de reflexão, resumindo, trata-se de um clássico instantâneo. 

NOTA: 8,5

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2 comentários em “Crítica | A Chegada (Arrival)

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