Crítica | La La Land: Cantando Estações (La La Land)

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O gênero musical não é lá dos mais atrativos hoje em dia para o público de cinema, muitos acabam virando o rosto para ideia de ver pessoas começando a cantar e dançar do nada nas telonas. O diretor Damien Chazelle, do aclamado Whiplash: Em Busca da Perfeição (2013), resolveu se aventurar no gênero em um projeto que desde as primeiras imagens divulgadas já conseguiu chamar a atenção do público, tanto dos fãs de musicais quanto dos que não simpatizam com esse tipo de filme. O resultado final de La La Land: Cantando Estações deve agradar os dois grupos, já que temos aqui um musical que ao mesmo tempo que é moderno consegue resgatar os elementos que consagram o gênero no século passado.

Ao chegar em Los Angeles o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz iniciante Mia (Emma Stone) e os dois se apaixonam perdidamente. Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem fama e sucesso.

Obviamente o primeiro passo para o sucesso de um musical é ter boas músicas, e La La Land consegue cumprir essa tarefa com maestria. Temos aqui canções que sempre estão em perfeita harmonia com a atmosfera do filme e que certamente ficarão dias e dias na cabeça do espectador. Com menos músicas do que vemos habitualmente em filmes do gênero, temos apenas seis no longa, todas as que são apresentadas são ótimas. Começando com as animadas Another Day of SunSomeone in the Crowd e passando pelas menos agitadas Lovely Night Dance, que traz um excelente ar nostálgico, e City of Stars, a canção mais poética do filme. Vale citar também que as três primeiras músicas citadas são acompanhadas de coreografias extremamente bem executadas. 

Diretor e roteirista do filme, Damien Chazelle se sai muito bem na primeira função e faz o simples, que acaba se mostrando eficiente, na segunda. A direção de Chazelle se mostra eficiente desde o excelente número musical que abre o filme até a belíssima sequência final, tudo é conduzido de forma bela e delicada pelo diretor que consegue transmitir sentimento e significado as cenas, a cena no planetário e a cena final são as que melhor exemplificam isso. É possível enxergar no filme toda a paixão do diretor pelo cinema e pela música, devido as inúmeras referencias inseridas, todas colocadas de maneira sutil. Na função de roteirista Chazelle entrega uma história que em alguns momentos se mostra convencional , porém que ainda sim consegue encantar o espectador com sua leveza, simplicidade e bom humor, além de se mostrar eficiente em passar suas mensagens. Depois de uma primeira metade excelente onde tudo flui de forma bastante harmônica o roteiro parece escorregar um pouco na segunda onde uma ou duas situações, que são cruciais para a trama, acabam não sendo trabalhados da melhor maneira possível.

Emma Stone Ryan Gosling que fazem aqui seu terceiro trabalho juntos, os dois já haviam contracenado em Amor a Toda Prova (2010) e Caça aos Gângsteres (2013), entregam aqui ótimas performances e mostram, mais uma vez, que possuem uma excelente química. Emma que já tinha experiência com musicais, já que participou de Cabaret na Broadway, mostra bastante talento nas canções. Seja nas cenas em que não é tão exigida, momentos estes em que a atriz consegue imprimir todo seu carisma , quanto nos momentos em que é mais exigida, como na cena em que sua personagem participa de uma audição, onde graças a sua atuação o espectador consegue sentir todo o nervosismo de sua personagem, a mesma consegue se sair eficiente. Já Gosling mostra que seu timing cômico está cada vez mais afiado, é curioso notar como o ator se mostra bem mais a vontade em papeis mais descontraídos do que nos mais dramáticos. Se o interprete do personagem Sebastian não mostra tanto talento no canto como sua parceira, o que não significa que ele tenha ido mal nesse quesito, no piano ele consegue impressionar o espectador, sendo capaz de transmitir uma energia incrível enquanto toca. O mais incrível é que o ator aprendeu a tocar em apenas três meses.

A parte técnica do longa se mostra apuradíssima. A fotografia do filme é estonteante e, em parceria com os também excelentes trabalhos da direção de arte e de figurino, consegue criar um ambiente belamente colorido, certamente a parte visual de La La Land deixará o espectador deslumbrado. A trilha sonora, composta por Justin Hurwitz, é um espetáculo a parte, sempre com melodias doces e memoráveis que sem dúvida nenhuma são fundamentais na construção de toda a atmosfera mágica do filme.

Chazelle entrega aqui um filme que ao mesmo tempo que se mostra uma carta de amor a antiga Hollywood consegue ser moderno a ponto de atrair e agradar até mesmo os que não são fãs do gênero musical. La La Land: Cantando Estações é um longa leve, mágico, marcante e emocionante, estamos falando de um tipo de filme que tem que se tornado cada vez mais raro de se ver.

NOTA: 8,5

 

 

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