Crítica | Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)

Mel Gibson tem poucos trabalhos na função de diretor, apenas quatro, porém ainda sim conseguiu deixar suar marca seja com o aclamado Coração Valente (1995), que rendeu dois Oscars a Mel, ou com o polêmico A Paixão de Cristo (2004). Dez anos depois do seu último trabalho na função, tempo em que acabou se envolvendo em diversas polêmicas, o cineasta volta a direção com o longa Até o Último Homem, que apesar de um ou outro pequeno deslize pode ser considerado como a volta triunfal de Gibson.

Em 1942, o jovem Desmond T. Doss (Andrew Garfield) é convocado para servir na Segunda Guerra Mundial. Mas na batalha ele bate de frente com seu superior, o sargento Howell (Vince Vaughn). Tudo porque Desmond se recusa a portar uma arma e matar os inimigos, para não contrariar suas crenças na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

A direção de Gibson tropeça em dois momentos. Nos dez primeiros minutos, que podem enganar o espectador sobre o tom do filme, e na última batalha do longa, onde há muito sentimentalismo e uso em excesso de cenas em câmera lenta. Tirando essas duas ocasiões citadas trata-se de um ótimo trabalho de Mel como diretor. A primeira metade do longa, onde acompanhamos toda a luta do personagem até conseguir chegar ao campo de batalha propriamente dito, é muito bem conduzida conseguindo preparar muito bem o espectador para a segunda metade, onde começam as cenas de batalha, cenas estas que são extremamente bem dirigidas, conseguindo levar para o público toda adrenalina da guerra de forma sangrenta e visceral gerando momentos de ação extremamente empolgantes.

O roteiro, escrito por Robert Schenkkan e Andrew Knight, é bastante eficiente. Todo o desenvolvimento do arco do protagonista, incluindo suas motivações e sua relação com outros personagens são muito bem trabalhados. Há um exceção no entanto,  a escolha de Desmond em se alistar acaba acontecendo de forma rápida e um tanto quanto rasa. Outro ponto positivo do texto é que temas como fé e patriotismo, que costuma ser inserido de maneira excessiva e forçada em produções do gênero, são trabalhados de maneira sutil e colocados na trama de forma orgânica .

Andre Garfield entrega aqui uma ótima performance, provavelmente a melhor de sua carreira até aqui, conseguindo com sua atuação fazer transparecer toda a firmeza de seu personagem em relação a seus ideais. Do resto do elenco vale ressaltar as boas performances de Teresa Palmer, que mostra boa química com Garfield interpretando o interesse amoroso do protagonista, e de Vince Vaughn, famoso por suas atuações em comédias, que surpreende na pele do sargento Howell.

Na parte técnica o filme os destaques são a edição/mixagem de som, fundamentais no processo de imersão do espectador, e a trilha sonora, que apesar de parecer genérica em certos momentos acaba funcionando no contexto do filme. Os ponto negativos ficam por conta da fotografia, que acaba exagerando nos tons escuros nas cenas noturnas, e de alguns efeitos visuais envolvendo explosões, que dão a impressão de terem sido mal renderizados.

Até o Último Homem é sem dúvida nenhuma a volta triunfal de Mel Gibson a Hollywood, o longa pode até ter um exagero aqui ou ali, mas ainda assim é um filme de guerra muito bem dirigido e escrito, que se mostra bastante eficiente em imergir o espectador na atmosfera sangrenta, barulhenta e cheia da ação da guerra. 

NOTA: 8,0

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